Tanto para viver e tão pouco tempo para vivê-lo. São elas, as palavras escritas que me roubam da escrita das palavras. Mas voltarei em breve.
15 março 2007
11 janeiro 2007
Mr. Eastwood
(Perdoem-me o anglicismo no título mas "Sr. Eastwood" não me estava a soar muito bem)
«As Bandeiras dos Nossos Pais» (outra tradução que não soa lá muito bem) chegou. Muito ansiado e aguardado, acredito que em grande parte devido ao seu realizador.
Eu gosto de ir ao cinema, gosto de ver cinema em casa, gosto de alugar filmes.
Não gostei muito de estudar cinema: horas infindas a ver filmes japoneses dobrados em francês é capaz de ter algo a ver com isso. Retive o essencial mas não me interessou aprofundar o resto.
Não sou, por isso, alguém com qualificações para comentários técnicos. Mas posso opinar sobre o que vejo. Vi o «Flags of Our Fathers» e partilho a minha opinião.
Como já disse a antecipação do filme penso ter ficado a dever-se a ser mais um filme de Clint Eastwood. É um actor excepcional (vi e revi o Dirty Harry vezes sem conta) e um fabuloso realizador. E ganhou um Oscar. Com um filme cheio de força. Claro que tudo isto cria expectativas elevadas. E o anti-protagonismo seco de Eastwood reforça-o.
Mas este filme ficou aquém das minhas expectativas. Mostrou uma visão diferente da América encara um conflito em que interveio - o tradicional apelo patriótico não existe aqui. Mas tudo o resto foi repescado: jovens soldados que veêm o camarada de armas como um irmão, pesadelos que nunca os abandonam, o questionar constante de porque viveram enquanto ao lado outros morriam. Heróis criados pelos media que não se sentem como tal.
Este argumento já existe, disperso por muitos outros filmes. É um cenário real, com pessoas verdadeiras. Mas nem por isso deixa de ser repetitivo. O filme não é um documentário, é uma obra de ficção com alicerces reais.
Não sei se era este o produto final ou se Clint Eastwood perdeu o fôlego, mas eu-espectadora saí com a minha lição moralizadora tomada (não havi o bom e o mau, mas havia muitos vilões) mas insatisfeita.
Há apontamentos magníficos, talvez ganhe o Oscar de melhor fotografia (e talvez mais...) mas não me convenceu.
A "lealdade" à admiração por Eastwood fez-me questionar se devia usar alguns eufemismos. Mas essa admiração não o permitiu. Quando estrear o seu próximo filme lá estarei.
05 janeiro 2007
Ódio de Estimação
Certa vez li um texto do MEC que achei fascinante: era sobre ódios de estimação e todo o conceito era cómico e verdadeiro.
Ideia-chave: todos nós temos ódios de estimação, daqueles verdadeiramente inexplicáveis por lógica normal mas que retorcidamente provamos que o objecto do ódio é merecedor disso e de muito mais.
Sem insultos gratuitos, sem ofensas desnecessárias e sem «porque sim» vamos a um desafio: partilhemos o nosso ódio(s) de estimação. O meu faz-me arrepios na espinha, quando aparece na televisão tenho que mudar de canal, se surge numa revista leio só para criticar. O nome do meu Tareco? Rita Ferro Rodrigues (só o que me custou escrever isto, enunciar este Cérbero...).
Tenho mais, mas este acompanha-me há já algum tempo. Abomino a forma de vida deste inominável ódio, ocioso e parasita. A palavra "cunha" assalta-me muitas vezes enquanto escrevo. Porque será?
Felizmente ainda não tive pesadelos, que me levassem a acordar encharcada em suor com aquela tenebrosa sensação de queda no abismo. Mas sei que este objecto de ódio é capaz de se se insinuar nos meus sonhos, só pelo prazer de me provocar noites mal-dormidas.
Aguardo a partilha de ódios e enquanto espero vou ler «A Causa das Coisas», do Miguel Esteves Cardoso.
Ideia-chave: todos nós temos ódios de estimação, daqueles verdadeiramente inexplicáveis por lógica normal mas que retorcidamente provamos que o objecto do ódio é merecedor disso e de muito mais.
Sem insultos gratuitos, sem ofensas desnecessárias e sem «porque sim» vamos a um desafio: partilhemos o nosso ódio(s) de estimação. O meu faz-me arrepios na espinha, quando aparece na televisão tenho que mudar de canal, se surge numa revista leio só para criticar. O nome do meu Tareco? Rita Ferro Rodrigues (só o que me custou escrever isto, enunciar este Cérbero...).
Tenho mais, mas este acompanha-me há já algum tempo. Abomino a forma de vida deste inominável ódio, ocioso e parasita. A palavra "cunha" assalta-me muitas vezes enquanto escrevo. Porque será?
Felizmente ainda não tive pesadelos, que me levassem a acordar encharcada em suor com aquela tenebrosa sensação de queda no abismo. Mas sei que este objecto de ódio é capaz de se se insinuar nos meus sonhos, só pelo prazer de me provocar noites mal-dormidas.
Aguardo a partilha de ódios e enquanto espero vou ler «A Causa das Coisas», do Miguel Esteves Cardoso.
29 dezembro 2006
O tempo é contínuo
Pois é, apeteceu-me uma contradiçãozita para a chegada de 2007. «As Festas», vulgo mês de Dezembro, cheio de gastos, fritos e sentimentalismos, sempre me animaram. E as resoluções para o Novo Ano? Quantas canetas bic (as melhores) não terei gasto.
Com tantas coisas más, tristes, desagradáveis, assustadoras e afins que nos bombardeiam (a agressividade e os estragos são semelhantes às bombas) ainda bem que existe o que nos dê alegria. Desde que não faça mal a ninguém, se dá alegria só pode ser bom.
Mesmo que seja ouvir até à exaustão o Jingle Bells, ver o Natal dos Hospitais ou pendurar aqueles indescritíveis Pais Natal (ser bom não é ser bonito!!) nas janelas.
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