11 janeiro 2007

Mr. Eastwood

(Perdoem-me o anglicismo no título mas "Sr. Eastwood" não me estava a soar muito bem)
«As Bandeiras dos Nossos Pais» (outra tradução que não soa lá muito bem) chegou. Muito ansiado e aguardado, acredito que em grande parte devido ao seu realizador.
Eu gosto de ir ao cinema, gosto de ver cinema em casa, gosto de alugar filmes.
Não gostei muito de estudar cinema: horas infindas a ver filmes japoneses dobrados em francês é capaz de ter algo a ver com isso. Retive o essencial mas não me interessou aprofundar o resto.
Não sou, por isso, alguém com qualificações para comentários técnicos. Mas posso opinar sobre o que vejo. Vi o «Flags of Our Fathers» e partilho a minha opinião.
Como já disse a antecipação do filme penso ter ficado a dever-se a ser mais um filme de Clint Eastwood. É um actor excepcional (vi e revi o Dirty Harry vezes sem conta) e um fabuloso realizador. E ganhou um Oscar. Com um filme cheio de força. Claro que tudo isto cria expectativas elevadas. E o anti-protagonismo seco de Eastwood reforça-o.
Mas este filme ficou aquém das minhas expectativas. Mostrou uma visão diferente da América encara um conflito em que interveio - o tradicional apelo patriótico não existe aqui. Mas tudo o resto foi repescado: jovens soldados que veêm o camarada de armas como um irmão, pesadelos que nunca os abandonam, o questionar constante de porque viveram enquanto ao lado outros morriam. Heróis criados pelos media que não se sentem como tal.
Este argumento já existe, disperso por muitos outros filmes. É um cenário real, com pessoas verdadeiras. Mas nem por isso deixa de ser repetitivo. O filme não é um documentário, é uma obra de ficção com alicerces reais.
Não sei se era este o produto final ou se Clint Eastwood perdeu o fôlego, mas eu-espectadora saí com a minha lição moralizadora tomada (não havi o bom e o mau, mas havia muitos vilões) mas insatisfeita.
Há apontamentos magníficos, talvez ganhe o Oscar de melhor fotografia (e talvez mais...) mas não me convenceu.
A "lealdade" à admiração por Eastwood fez-me questionar se devia usar alguns eufemismos. Mas essa admiração não o permitiu. Quando estrear o seu próximo filme lá estarei.

7 comentários:

Anónimo disse...

Do que li pensava que era um filme espectacular. Vou vê-lo e depois te digo se concordo.

Exterminadora disse...

Pela tua descrição o filme parece ser bastante chato.
De qualquer forma não é um género de filme que me diga alguma coisa, pelo que nem sequer penso em ir vê-lo.
Mas se tu não gostaste, ora bolas lá se foram os teus euritos.
Mas se entraste naqueles concursos de bilhetes de cinema como eu, bem aí já é diferente loool. Gastaste só a gasolina.


Beijinhos =)

Secret Reindeer disse...

Chato não, mas com muitos lugares-comuns.
Não conheços os filmes de que falaste no CN, mas disseste que querias ver. Conta lá porquê.
Já agora, dá cumprimentos à Cassilda ;-)

Carlos M. Reis disse...

É um filme que tem desiludido muito boa gente. Principalmente depois de o compararem com a sua segunda parte. Eu quero ver se esta semana ponho os pés no cinema para o ver. Million Dollar Baby arrebatou-me completamente e tenho confiança que Eastwood mantenha o ritmo.

Cumprimentos!

Secret Reindeer disse...

O "problema" de alguém como Clint Eastwood (ou Wesley Snipes, a popósito de «Caos», no Plano Americano) é a sua qualidade excepcional. Habituam-nos a elevados padrões de qualidade, pelo que estamos sempre à espera que cada novo trabalho supere o anterior. «Million Dollar Baby» é um filme demasiado bom, pelo que as expectativas cresceram exponencialmente. E ficar aquém das expectativas é algo que acontece a todos mas só se nota nos melhores.

Anónimo disse...

Fui ver no fds. Gostei.Pareceu-me uma visão mais desprendida e objectiva.

Anónimo disse...

Escreves bem mas escreves pouco